Bruce Campbell. Entre nerds e conhecedores da cultura pop, esse nome tem poder. Ele é o mais cultuado ator que, curiosamente, é um dos menos conhecido do grande público, mas possui uma legião de fãs que, literalmente, fariam (e fazem) tudo por ele.
Eu, por exemplo: no auge da minha infância e da minha aflição por filmes de terror, assisti pela primeira vez, no extinto (e saudoso) Cine Trash, na Band, um curioso filme chamado A Morte Do Demônio (eu lembro de tudo no dia, inclusive que a Band o chamou de Uma Noite Alucinante 1 – A Morte do Demônio). Relembrando: eu, criança que morria de medo de filme de terror, assistindo um que me marcou para sempre. O mais engraçado é que não fiquei traumatizada e nem reforcei meu medo descontrolado. Ao invés disso, fiquei fascinada. Não lembro se foi o enredo, o elenco, os deefeitos especiais ou o que mais que me prendeu, mas eu virei fã. Do filme, e, mais do que qualquer outra coisa, do jovem e inexperiente ator chamado Bruce Campbell.
Não vou entrar aqui nos méritos que transformaram Evil Dead num clássico (apesar de que poderia, afinal, é muita coisa pra falar – sem contar que foi o filme que catapultou Sam Raimi para a fama, sendo coroado quando ganhou a direção dos filmes do Homem-Aranha, algumas das maiores bilheterias de todos os tempos), mas posso afirmar com toda certeza que 80% (até mesmo 90%) foi por causa do Bruce.
Porque digo isso?
Antes, devo dizer que Evil Dead teve duas “continuações” (entre aspas porque até hoje não há unanimidade em definir se Evil Dead II – Dead By Dawn é uma releitura do original ou uma continuação em realidade alternativa; e Evil Dead III, ou melhor, Army of Darkness flerta mais com a comédia – não desmerecendo, até mesmo porque é nele que estão as mais famosas frases de efeito do nosso herói Ash).
Até aí, tudo bem. Mas por que Bruce Campbell é O responsável pelo sucesso da trilogia? Por que, se ele é tão bom assim, não pavimentou seu caminho para a fama hollywoodiana?
Quando Evil Dead foi lançado, em 1981, foi uma inovação. O roteiro é bem simples, mas as seqüências e jogadas de câmera de Sam Raimi (recurso utilizado por causa do orçamento apertado, mas que virou sua marca registrada) foi uma grande novidade. Outra novidade, para alguns não tão legal assim, foi o que mais tarde seria conhecido como gore, e atualmente, como trash, ou até mesmo gore-trash: muitos membros decepados, muito sangue, muitas mortes, muito sangue. Tá, atualmente com Jogos Mortais e seus inúmeros clones, Evil Dead nem causa mais espanto, medo ou nojo. Mas sua importância é, indiscutivelmente, relevante.
Bruce Campbell é amigo de Sam Raimi desde a época da faculdade. O embrião de Evil Dead – o curta Within The Woods, surgiu em uma de suas conversas, e reza a lenda que foi trabalho de conclusão de curso, mas sabe-se que foi usado para conseguir investimento e patrocínio para sua realização. Bruce, desde os 8 anos de idade, sonhava em ser ator. Largou a faculdade e passou a trabalhar exaustivamente em bastidores de produções, nos desenvolvimento de sets, como assistente e até office-boy. E como estava acostumado a gravar filmes por diversão com amigos (incluindo Raimi), foi escolha óbvia para estrelar a primeira importante produção de Sam – e ele não só estrelou como foi co-produtor executivo.
E foi perfeito. Bruce tem um jeito de atuar que é inimitável. É canastrão e adorável. É claro que no primeiro filme da trilogia, a atuação foi bem mais séria, afinal de contas, o clima era pesado e sombrio. Mas o jeito que ele fala, os olhares (comecei a ser uma fã babona), a postura, tudo grita: “CANALHÃO, CANALHÃO!” Mas eu não falo isso de uma forma ruim! Muito pelo contrário, quando você o assiste em algum filme, ou série, ou qualquer coisa, você vibra, e torce, e ri, e se diverte. Não tem como não esboçar um sorriso toda vez que ele aparece em cena. Ele possui uma atração, um apelo tão grande que não é difícil compreender porque é tão adorado mundo afora.
“Groovy!”
Graças ao sucesso de Evil Dead, os executivos deram carta branca para o que seria a continuação, mas vou tratar aqui como releitura, pois vários elementos (com exceção da cabana) foram mudados, como o elenco de apoio, por exemplo. E o mais claro de todos, o tom do roteiro. Com um orçamento maior, Raimi pôde adicionar mais efeitos, e fica claro o caminho que resolveu seguir: esquetes cômicos, conhecido como physical comedy (literalmente, comédia fisica, “modalidade” que Bruce se especializou), onde sua personagem Ash apanhava, caía, tropeçava, batia, apanhava mais um pouco e enfim, teve sua mão possuída pelo capeta e, por isso, não poderia fazer outra coisa além de cortá-la com uma serra elétrica (primeiro elemento que se tornou clássico no filme)! Ted Raimi, irmão de Sam Raimi, fez uma ponta como a velha possuída do sótão. Devido ao alto teor burlesco, não poderia mais ser caracterizado como filme de terror (não tinha como!). E talvez tenha sido exatamente por isso que fez ainda mais sucesso, gerando o terceiro – e grande clássico – do tema: Army of Darkness. Esse aí já banalizou de vez (novamente, não falo de uma forma negativa), e transformou Ash (e Bruce Campbell) no (anti?) herói definitivo: o cara não sabe de onde veio nem pra onde vai, mulherengo, aproveitador, espertalhão e muito, mas muito engraçado. Pergunte a qualquer fã de Evil Dead o que falaria se visse Bruce Campbell na sua frente, e ele provavelmente responderá: ‘Hail To The King, Baby! (se não entendeu, assista o filme!). Mini-Ashs, bruxas, Evil Ash, luva de ferro, vários necromicons, sketchs homenageando Os Três Patetas, a fórmula do filme é genial, apesar de não lembrar em mais nada o Evil Dead original (talvez seja até por isso que Evil Dead foi suprimido do título – ele é só Army of Darkness). E deu à Bruce o status (merecido) de Rei dos filmes B.
Como pouquíssimos, Bruce decidiu não se mudar para Hollywood. Na verdade, ele possui um certo asco da indústria, dizendo que “se você vai à Hollywood, então já é um vendido”, porque não concorda que somente lá é que as coisas podem ser feitas. Por outro lado, fez participações especiais nos três Homem-Aranha (papéis engraçadíssimos, por sinal), mas porque Sam Raimi sempre que pode, o chama em suas produções.
Ele continua atuando, escrevendo, dirigindo, e atualmente participa de uma série chamada Burn Notice (passa na Fox, canal de TV por assinatura). Tem um filme aguardadíssimo pelos fãs, o My Name Is Bruce, que resumindo, é a história da sua vida: por ter feito vários filmes de terror trash, moradores de uma cidade do interior acabam confundindo personagem e ator, e se apóiam no Bruce pra acabar com uma entidade maligna que foi invocada! Tem tudo pra se tornar clássico instantâneo, só precisa ser lançado!
Bruce também é escritor e lançou dois livros até agora: If Chins Could Kill – Confessions of a B-Movie Actor (uma autobiografia) e Make Love! The Bruce Campbell Way (hilário – ficção onde ele conta os fatos que ocorrem com ele desde que é chamado para participar de uma comédia romântica ao lado de bam-bam-bans da indústria cinematográfica), o último foi lançado em audiobook também.
Bruce Campbell é um homem inteligentíssimo, que colhe os frutos de um trabalho árduo com muita serenidade. Ele viaja por todo os EUA participando de convenções, reconhece e adora o carinho dos fãs e vive uma vida aparentemente pacata, mas ele não pára nunca. Melhor para nós, fãs de um cara que poderia muito bem não ter se tornado nada, apenas um astro-de-um -filme-só, mas que se tornou uma lenda viva, que ainda vai render grandes momentos para todos aqueles que curtem uma boa cultura pop.
“For a long time I was embarassed to say I was a B-movie actor, but now that I see what Hollywood is putting out, I realized that ‘B’ actually means ‘‘better’” *
- Bruce Campbell
VIDA LONGA AO REI!
* “Por bastante tempo, eu tinha vergonha de dizer que eu era um ator de filmes B, mas agora que eu vejo o que Hollywood tem feito, eu finalmente percebi que B significa ‘melhor’.”









11 respostas Até agora ↓
Rodrigo // Junho 3, 2008 às 8:45 pm |
parabéns, mor!!!!
primeiro post oficial e muito bom!!!
lógico… com todo o conteúdo que tu tem…
te amo e tenho orgulho de tu ser como tu é!!!!
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Diego "Sinuhe" // Junho 3, 2008 às 9:46 pm |
Bem vinda a blogosfera!! E que bela estréia, Bruce Campbell é fueda!
Imrã // Junho 5, 2008 às 12:40 am |
AEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEE aeaeaeaeae
Val Oliveira // Junho 5, 2008 às 3:53 pm |
magnifico texto!! Parabens!!! e quem venha My Name Is Bruce…
se bem q ainda nao vi Bubba-ho Tep…
http://www.fotolog.com/horrorclassics
Samar // Junho 5, 2008 às 10:30 pm |
Imrãããããããããaaaaaaa
que lindo você por aqui!!!! (L)!!!!
Imrã // Junho 6, 2008 às 1:07 am |
tô aqui sim! quero ler mais posts! \o/
amo-te :~~
Dídi // Junho 6, 2008 às 2:28 am |
Nossa, trava, mas escreve hein, coraaaaaaaaaaaaaaaagem, “B” é de BEER! (Y)
Demorou mas saiu: O Insulto Final! « Recanto do Vieira // Junho 30, 2008 às 12:59 am |
[...] Campbell, o “Ash”, do Evil Dead 2, o qual foi brilhantemente lembrado pela Samar em um post dela do Aceita Pretzel (ainda estou rindo desse nome… [...]
Filho Silva // Dezembro 16, 2008 às 1:31 pm |
Só umas coisas que eu notei ai:
1º Ash corta a mão com uma moto-serra
2º Ted Raimi interpretou a velha do porão!!
3ºEle não é um ator canastrão, o Ash é um personagem canastrão, veja por exemplo esses filmes onde ele faz papeis sérios:
A FLORESTA
GOING BACK
MANIAC COP
DESAFIANDO O EVEREST
TORNADO!
4ºDe fato ele não acredita que filmes hollywoodianos sejam arte, como os filmes independetes, por isso a preferencia por filmes considerados B
5º Foi um bom texto, Bruce é o melhor ator dessa geração!!
6º Entrem na minha comunidade, estou juntando muito material dele!
Abraços
Dan[SM] // Abril 16, 2009 às 12:12 am |
Evil Dead e o Bruce Campbell realmente ficaram marcados e apesar de não serem muito conhecidos, ate hoje o Ash aparece em muitas HQs(algumas bem podres..) e games também.
E a cena que ficou marcada para mim foi a do lapis na tornozelo, foda! Evil Dead mostra que lapis podem ser muito perigosos.
Samar // Abril 22, 2009 às 11:35 am |
Nem me fala! Até hoje não aponto direito os meus… hehehehe