Assistindo à programação atual da MTV, percebi que agora ela está com uma programação melhorzinha: temos o Descarga (Mion, ainda sinto muitas saudades do Piores Clipes do Mundo, mas dá pra aguentar), o 15 Minutos com Marcelo Adnet (e seu sidekick Kiabbo) e a nova versão do Quinta Categoria, que lembra muito meu saudoso e querido Whose Line Is It Anyway?, transmitido pelo Sony (alguém sabe se ainda tá na programação?). Mas o que me chamou atenção mesmo (e não de um jeito legal) foi a presença de uma garota que mais parece um peixe fora d’água no meio de tanta novidade legal: Dani Calabresa, que se diz comediante mas tenho quase certeza que só está no meio por causa do namorado, o talentosíssimo Marcelo Adnet. Ela apresenta, ao lado de Bento Ribeiro (tão ruim quanto), o programa Furo MTV, uma versão extremamente mal-feita de um dos melhores quadros de todo o Saturday Night Live, o Weekend Update (quem conhece sabe, já foi apresentado por inúmeros grandes comediantes norte-americanos que já passaram pelo SNL).

Ruminando no meu Twitter, indaguei sobre se a mulher (como o sexo feminino, não uma específica) sabe ou não ser engraçada. É um problema cultural ou uma simples questão de gênero?
Em poucos minutos consegui pensar em grandes mulheres que fazem ótima comédia, como Whoopi Goldberg, Ellen DeGeneres, Tina Fey, Sarah Silverman (só exemplos que surgiram enquanto escrevo, existem várias, muito mais). Mas porque elas conseguem lá fora e ninguém consegue aqui dentro? Será que o conceito (ou até mesmo o refinamento) de humor mudou ou se adaptou ao universo feminino? Não acho que seja esse o caso, já que frequentadores de comédia stand-up (sejam eles comediantes de ambos os sexos) são meio a meio, o número de homens e mulheres é quase o mesmo. Ou seja, hoje conseguimos entender melhor o humor mas ainda falta alguma coisa para podermos fazê-lo de uma forma competente?

Tina Fey, exemplo de comediante talentosa e que deu certo
Deixei até uma sementinha no post anterior. Pra mim, mulheres não tem que tentar ser outra coisa além de mulheres. Essa história de direitos iguais, feminismo e o que seja é BABOSEIRA, ninguém tem que mudar a sua essência para se impôr, principalmente no mercado de trabalho. É claro que em mercados mais comuns (e mais sérios) a gente detona mesmo, mas e em outros como, por exemplo, a COMÉDIA STAND-UP? Esse tipo de comédia está bem difundida no Brasil agora, com os mestres do CQC Rafinha Bastos, Danilo Gentili, Marco Luque mandando ver (e eles são ótimos mesmo), além de outros grupos como o Z.É. (Zenas Emprovisadas), Improvisáveis, Os Barbixas, Improvável, para citar alguns. Ah, tem o Terça Insana também, são maravilhosos!

Não, não é tão fácil quanto parece
Olha, não é recalque muito menos inveja, mas a Dani Calabresa (citada acima) é muito, mas muito sem graça. Ela não tem timing, nem entonação, nem bagagem para ser chamada de comediante, porque isso não é pra quem quer, é pra quem pode. Confesso que é tentador a idéia de se infiltrar em mundos considerados extremamente masculinos (ser a desbravadora, a bendita fruta, a única, a original) até mesmo porque todo mundo quer ser considerado moderno e mente aberta nesses dias (e nessas indagações descobri que sou bem antiquada e I’m OK with it), mas a pessoa tem que ter um mínimo de noção para não cair de boca no meio fio da vergonha alheia. E eu só consigo sentir isso quando a vejo.

Seinfeld, o Grande Mestre. (Imagem retirada do blog snuhzone.wordpress.com)
Talvez a televisão não seja a vibe dela. Ainda não assisti seu stand-up e nem sei se roteirizando para uma menina mais talentosa ela se sairia melhor, mas que, pra mim, é sofrível vê-la tentando fazer um humorzinho besta, isso é. Sabe, se é pra tentar fazer qualquer humorzinho pra arrancar risadas, Marisa Orth, Maria Paula e até Sabrina Sato já vem fazendo isso há bastante tempo, com muito mais competência, se me permitem dizer. Então fica o recado: não façam nada que seja além de seus talentos naturais. Isso vale para Meninos e Meninas, tá?